sexta-feira, 28 de agosto de 2015 0 apreciadores

ÔNIBUS

Segunda-feira. Calor. Muito. Calor. Trabalho. Ônibus. Fila. Dinheiro. Cobrador. Passar. Quase. Lotado. Banco. Vazio. Sentar. Calor. Cheiro. Gasolina. Enjoo. Lado. Mulher. Bebês. Gêmeos. Cheiro. Leite. Mais. Enjoo. Outro. Lado. Homem. Velho. Voz. Rouca. Conversa. Esposa. Falecida.

Depressão. Banco. Frente. Gorda. Mórbida. Tosse. Agoniante. Ocupar. Dois. Bancos. Catraca. Idosa. Devagar. Vestido. Florido. Cabelo. Florido. Rosto. Diabo. Andar. Devagar. Andar. Devagar. Pedir. Lugar. Levantar. Dar. Lugar. Olhar. Velha. Sentada. Eu. Levantado. Velha. Agradecer. Perceber.

Satisfação. Voz. Ela. Sarcasmo. Muito. Calor. Muito. Trabalho. Cansaço. Bebês. Gêmeos. Cheiro. Leite. Enjoo. Ônibus. Andar. Passar. Ponto. Ponto. Ponto. Ninguém. Nada. Descer. Ponto. Ninguém. Ponto. Ninguém. Ponto. Calor. Ponto. Leite. Ponto. Tosse. Ponto. Idoso. Ponto. Idosa. Ponto. Enjoo. Ponto. Ninguém. Ponto. Enjoo. Ponto. Ninguém. Frear. Parar. Motor. Barulho. Parar.

Definitivamente. Ouvir. Murmúrios. Pessoas. Descer. Ponto. Todos. Esperar. Ônibus. Calor. Muito. Atraso. Raiva. Pressa. Ônibus. Último. Entrar. Fila. Catraca. Dinheiro. Passar. Ônibus. Andar. Cair. Deslocar. Perna. Sentar. Lado. Leite. Enjoo. Lado. Velho. Levantado. Braços. Levantados. Cheiro. 

Horrível. Enjoo. Ânsia. Ansiedade. Vômito. Chão. Cheiro. Leite. Axila. Vômito. Ponto. Prévio. 
Andar. Casa. Perna. Deslocada. Andar. Calor. Andar. Calor. Muito. Andar. Calor. Muito. Mesmo. Enjoo. Mais. Enjoo. Cheiro. Esgoto. Vômito. Cheiro. Vômito. Andar. Casa. Chaves. Esquecimento. 

Telefone. Ligar. Esposa. Falta. Crédito. Chamada. Cobrar. Resposta. Nenhuma. Esperar. Noite. Perna. Deslocamento. Frio. Fome. Fedor. Sede. Esposa. Explicação. Reclamação. Dor. Cabeça. Enjoo. Banheiro. Banho. Frio. Rápido. Médico. Atestado. Dias. Voltar. Trabalho. Problema.

Segunda-feira. Ônibus. Deslocamento. De novo.
quarta-feira, 26 de agosto de 2015 0 apreciadores

VIVA INTENSAMENTE

Viva insanamente!
Viva indecifrável!
Viva confidente!
Viva inabalável!

Severos dias que me perseguem
E perseguem até o meus pensamentos
Me ternam pela normalidade
Me ternam pelos incontentamentos

E correm atrás de mim
Com água na boca e garfo afiado
Prontos para comer minha genialidade
Fruta de um fruto desvairado

E sim! Fruto, fruta
Furto e furta, faz me assim
Seja nada, seja Deus,
Somente eu mando em mim

Viva, desgraçado!
Viva, infeliz!
Bata forte, coração!
Bata fora da matriz!
sábado, 22 de agosto de 2015 0 apreciadores

NADA

Existia os ninguéns. E existia um nada. E lá do nada vinham os ninguéns sem propósito e sem rosto. Não viam nada porque nada existia. Não viam a si mesmos porque ninguém não era nada. E mesmo assim todos olhavam para ninguém. E ninguém olhava para nada.
Branco afrente, branco afora. Já passava da hora do tempo mudar. E sem nada, sem tempo. Sem tempo, sem nada. Mudava o tom mas ninguém percebia. Porque sem nada, sem gente, sem olho e sem nada... Nada existe, nada vê, nada vive, nada nada.
Andavam todos em círculos, mas não andavam em nada. Porque ninguém existia para andar em volta de círculo nenhum. Mas ninguém ligava para isso porque o nada não acontecia. E ninguém via que algo estava errado porque o errado não existia.
E o algo não se via porque não tinha olho para ver. Porque sem olho, sem gente, sem gente, sem nada. Sem nada, mesmo o tudo que existiria se ninguém fosse algo, se torna a mais impressionante coisa que já existiu, mesmo nunca tendo existido.
E nada acontecia, porque o que acontecia não era nada.
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TERNO TERNO

Estava muito tarde. A lua pairava sobre o desmerecido vácuo do céu. E naquele apartamento apertado se encontrava ele. Sempre a se esconder de seu dono. Esperava ele dormir para que pudesse enfim por um fim no seu desespero.
E ternamente terminava de fingir. Seus quase-não-pés tocavam o quase-não-chão que quase não se notava. E aquele quase-não-monstro desgraçado que se encontrava na cama não se lembrava de que seres não-humanos também têm de tomar banho.
Terna vida de se viver, aquela. Trabalhava das 6:00 às 8:00, junto com o seu chefe sujo. Sujo de pele e sujo de alma. Problemático que só, trocava tanto suas míseras moedas que os seus pelos já se cansavam daquelas mangas suadas.
Mas entre tantas míseras maldições, trancavam suas tradições em caixinhas não-tão-visíveis. E enquanto roíam suas unhas não-tão-existentes se esqueciam de que o subordinado era quem realmente fugia das banalidades simplistas. Ele era terno.

Não digo que tinha ternura no sangue.
Digo que o terno terno era só um terno.
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LUZES

Luzes escandescentes
Piscam e escurecem
Ternam em minha mente
Vagam, desmerecem

Mas a flauta sobe um tom
E o clima se despedaça
Se forma um outro som

Os gênios se escondem
Atrás de suas vontades
Com os óculos nos bolsos
Perde o cálculo, a validade

Tantos dias se passam
E o tempo corre mais que eu
Tantos anos morrem
E ninguém entendeu...
Ainda

Mistérios inimigináveis
Nas mais profundas mentes
Se protegem com o temor

Vergando e verdigo
Solstícios de amor
Intercalam a dor
E o sabor proibido

E as máquinas se quebram
Entre suas ruflas e seus quebradiços
Se tornam puro desmembramento
Todos os dias do solstício

E as luzes voltam...
 
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