Existia os ninguéns. E existia um nada. E lá do nada vinham os ninguéns sem propósito e sem rosto. Não viam nada porque nada existia. Não viam a si mesmos porque ninguém não era nada. E mesmo assim todos olhavam para ninguém. E ninguém olhava para nada.
Branco afrente, branco afora. Já passava da hora do tempo mudar. E sem nada, sem tempo. Sem tempo, sem nada. Mudava o tom mas ninguém percebia. Porque sem nada, sem gente, sem olho e sem nada... Nada existe, nada vê, nada vive, nada nada.
Andavam todos em círculos, mas não andavam em nada. Porque ninguém existia para andar em volta de círculo nenhum. Mas ninguém ligava para isso porque o nada não acontecia. E ninguém via que algo estava errado porque o errado não existia.
E o algo não se via porque não tinha olho para ver. Porque sem olho, sem gente, sem gente, sem nada. Sem nada, mesmo o tudo que existiria se ninguém fosse algo, se torna a mais impressionante coisa que já existiu, mesmo nunca tendo existido.
E nada acontecia, porque o que acontecia não era nada.
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