domingo, 20 de dezembro de 2015 0 apreciadores

CORAÇÃO

Por que é que todo mundo
Desenha o coração errado?
É por ter alma imunda?
Ou é por ser mal amado?

Mas eu acho que coração
Cada um tem o seu
É por isso que ninguém faz
O coração igual ao meu

Mas parece que todo o resto
Não quer concordar
Rouba o coração um do outro
Porque não sabem como amar
domingo, 8 de novembro de 2015 0 apreciadores

POR TUDO

De vez em quando algumas coisas
Acontecem sem mais nem menos
De vez em quando nada faz
Com que saibamos o que nós queremos

De vez em quando tudo acontece
Como se nada ligasse para você
De vez em quando o dia amanhece
E você perde a vontade de viver

Mas nada que acanhe a liberdade
O fruto da indignação
Mas também o fruto da genialidade
Da invenção. Do consumo.

E se eu paro, se eu bebo ou se eu fumo
O rumo é meu, para quem quiser saber
Desculpe, mas não é nada só por você
É por mim. É por nós. É por tudo
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AMARELO, OURO, ESCURO E UM POUCO MAIS

Amarelo, ouro, escuro e um pouco mais

Praga dourada, enfeitiçada
Torna-me insuficientemente acabada
Ponto sem traço, sem corda
Seguimento de prosa mal laçada

Letras e pontos avulsos
Regados de ignorância
Mal essência, má decência
Corte lavado, deixado na infância

Perpetua símbolo e raiz
Troca rosa e rasga matriz
Violeta sol e um pouco mais
De um todo nada que fica para trás

Configuração indeterminada
Sem regra, sem meta deflorada
Perca a aposta, entorta prego cego
Rego mas nego o legado do meu ego
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O QUE É QUE SEJA?

O que é que leva ao crime?
À bala enferrujada?
É trabalho mal feito?
Ou é esposa mal amada?

O que é que traz a arma?
O que é que raza o punho?
É o medo de ser pego?
Ou é o de morrer sozinho?

O que é que leva ao crack?
À pedra, à perdição?
É falta de mundo?
Ou é falta de opção?

Seja o que for,
Seja o que depor,
Não será serra sina
Nem sina de isopor

Seja o que seja, seja,
Seja sempre igual
Seja ação mal feita
Seja a meta final

O que é que pode ser?
sexta-feira, 23 de outubro de 2015 0 apreciadores

CITAÇÃO DE PABLO REIS


Sou psicopata com os olhos cheios de sentimento. Sou arrogante tão doce quanto mel. sou safado com auréola de anjo. Sou indiscreto o mais discreto possível. Sou fiel tanto quanto Judas. Sou a tristeza em pessoa, com um sorriso no rosto. Sou errôneo da forma mais certa que pude encontrar.

PABLO REIS
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O JOGO DA IMITAÇÃO

Vamos jogar um jogo
O nome é O jogo da imitação
As regras são bem simples
Então leia, e ele se explicará

~//~

Todos nós temos nossos valores
Sofrendo de nossas próprias dores ou não
Quem faz o futuro da raça é nosso mundo
Pois ninguém etiquetará seu coração

E a produção sobe em massa rumo a falência
Da descendência mal amada e de uma prole infestada
Cada jogada, cada vida, cada segundo
Bem, não existe. Tudo isso é só farsada

E cada ato meu será repetido e repetido
E repetido será, repreendido viverá
Cada ato meu terá um túmulo sem rumo
E repetido, e repetido, e repetido morrerá
segunda-feira, 19 de outubro de 2015 0 apreciadores

CITAÇÃO DE ALAN TURING


Você está prestando atenção? Ótimo. Se você não está ouvindo cuidadosamente, você vai perder coisas. Coisas importantes. Eu não vou pausar, não vou repetir e você não vai me interromper. Você acha que porque você está sentado onde está e eu estou sentado onde estou, que você está no controle do que está prestes a acontecer. Você está enganado. Eu estou no controle, porque eu sei de coisas que você não sabe.
O que vou precisar de você é comprometimento. Você vai ouvir de perto e não vai me julgar até que eu tenha terminado. Se você não pode se comprometer a isso, então por favor saia da sala. Mas se você escolher ficar, lembre-se que você escolhe estar aqui. O que acontece desse momento em diante não é responsabilidade minha. É sua. Preste atenção.

ALAN TURING
quinta-feira, 8 de outubro de 2015 0 apreciadores

CORRE

Nossos pés ensanguentados
Não aguentam mais nos arrastar
Nesse chão de agulhas e farpas
Só para chegar do lado de lá

Mas o que tem lá que não tem aqui?
O que pode ser isso que almejamos?
Será que vale a pena levar quem nos amou.
Ou será que é melhor deixar quem nós amamos?

Nem mesmo que a perna quebre até a carne
Não cai agora, troque esse geso
Não sei como arranjo, mas 'manjo qualquer outro
Não sei nem se consigo, só sei que eu mereço

E cada um tem seu preço
Sua prece, sua pressa, sua carga
E a carga que cai, que prevalece
É sua carta, que te cata, que te enriquece

Corre, corre, corre
Que a fadiga não mata mais
Não morre, não morre, não morre
Só falta um pouco mais

Corre, corre, corre
Que a fadiga não mata mais
Não morre, não morre, não morre
Já deixamos muito para trás

Shh, olha só. Faça silêncio!
Paro um pouco e logo penso
'Me levo', me corro, socorro, me enterro
'Mundo' meu caráter, mudo meu consenso

Parte em sol, parte em terra
Mera fera mal amada
Consenso preso, destruída, encarnada
Me leva, me leva, me leva

Mas nem sei mais porque estou aqui
Será que menti ou será que te degradei
Talvez eu saiba que você já descobriu
Mas prefiro acreditar que de tudo nada sei

E me agoniza até as lágrimas aquele pouco
Daquele nada, aquilo que te enfraquece
Olhe só, você merece do nada o tudo
Então confesse. Só confesse...

Corre, corre, corre
Que a fadiga não mata mais
Não morre, não morre, não morre
Só falta um pouco mais

Corre, corre, corre
Que a fadiga não mata mais
Não morre, não morre, não morre
Já deixamos muito para trás
quarta-feira, 30 de setembro de 2015 0 apreciadores

NÃO

Já fazia meia-hora que a aula havia começado e Michael ainda não se encontrava na sala. Ninguém sabia ao certo onde o garoto estava. Uma batida na porta...
- Professora! Posso entrar?
- Michael! O que está fazendo aqui à essas horas? A aula já está quase no fim.
- Não está não, professora.
- O quê? Como assim?
- A aula não está quase no fim não, deixe-me entrar.
- Michael, você não vai mais entrar na minha aula.
- Mentindo, professora? - Disse o garoto, entrando e se acomodando na carteira livre ao fundo da sala.
- Hey! Eu não te deixei entrar!
- Deixou sim... Deixou...
- Garoto, saia da minha aula! Não vou permi-
- A senhora vai me permitir sim.
- Está brincando comigo, rapaz?
- Eu? Com a senhora? Imagina professora, jamais.
Os colegas de sala se continham para não rir da palhaçada. A situação já estava irritante. A professora não se conteve.
-Chega, Michael! Saia da sala agora! É uma ordem!
-Não.
-Vou chamar o diretor.
-Vai nada.
-Se não levantar em três segundos vou chamá-lo.
-Necas.
-Três...
-Oh, prof.
-Dois...
-Prof, era brincadeirinha, prof.
-Um...
-Okay, até segunda!
domingo, 20 de setembro de 2015 0 apreciadores

TOME

Tome tudo de mim
É tudo insignificante
Tome tudo de mim
Nada mais é importante

Tome tudo de nós
Tome tudo da sorte
De tudo, te tome o mesmo
De tudo, tome a morte

Tome tudo deles
Tome tudo de todos nós
Tomo tudo de cada um deles
Mas nos deixe a sós

Tome, lhe tome,
E toma-te mesmo assim
Morra pela fidelidade
Mas morra longe de mim
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ESPECIAL

-Você é real?
-Sou sim.
-E por que os outros não te veem?
-Eu só faço parte de sua realidade.
-Mas os outros te conhecem.
-Sim, mas não faço parte da realidade deles.
-... Eu não entendo...
-Como não entende?
-Por que você está na minha realidade e não na dos outros?
-Porque você precisa ser especial.
-Fazer parte do mundo deles me impediria de ser especial?
-Já parou para pensar na razão de você ser especial?
-Eu acho que não.
-Você é especial porque consegue fazer algo que ninguém mais consegue. Ser especial é ter algo a mais, ter razões e ocasiões que os outros não podem ter. Ser especial é ser capaz de vivenciar mais do que os outros sequer podem pensar.
-Ah, então é por isso que dizem que sou especial?
-Esse é outro tipo de especial.
-Como assim?
-Esse especial é diferente. É inútil, não precisa entender.
-Ah... E você? É especial?
-Só se você quiser que eu seja.
-Então você só pode falar comigo?
-Só se quiser que eu fale.
-Então eu posso decidir se você é ou não especial?
-Se você for especial, também terei de ser. Sou parte de você.
-... Não acha que ser especial é um pouco solitário?
-Talvez um pouco.
-Ser o único capaz de fazer alguma coisa. Se for para fazer algo, que seja para dividir com alguém, e não para guardar para si mesmo! Isso é errado.
-É verdade. Mas então, o que você vai querer que eu seja?
-Como é estar morta?
-É como viver, mas sem poder dizer para os outros.
-Todo mundo sente alguma coisa, não é?
-Claro. Inclusive você.
-Eu não queria que você fosse especial. Sua vida seria muito chata só comigo. Mas se eu não estivesse viva, poderíamos ser ambos especiais e nunca seriamos solitárias. Aliás eu poderia ser como você. Aí seriamos especiais juntas, não é?
-Então é isso, pequenina? Você quer morrer?
-Quero sim.
-Tem certeza? É um caminho sem volta.


-Tudo bem, dona morte. Como a senhora mesmo diz, a morte é só o começo.
terça-feira, 15 de setembro de 2015 0 apreciadores

XADREZ

A vida é como um jogo de xadrez
Jogado por Deus e pelo Satanás
Eles se importam com algumas peças
Mas deixam as outras para trás

Sentado, de branco, as brancas começam
E o preto, claro, tem mais tempo para pensar
Nenhum dos dois perdem peças de propósito
Mas é dessa forma que o jogo tem que funcionar

Equilíbrio nada afim
Vozes baixas sussurram o fim
Será só impressão?
Ou só mais um peão?

E vestido de peão você pode viver
Mas viva frio, ríspido, rígido, estragado
Ninguém vai sentir sua falta quando você morrer
Porque você nunca foi, nem nunca será amado

Ou quem sabe você é um cavalo
Poderoso até mesmo para matar uma dama
Mas e então, seu animal irracional?
Vai viver da dor ou vai morrer do drama?

Quer ser um bispo? Seja!
Mas como todos os outros, irá para o inferno
Vai viver para morrer ou morrer para matar
Porque ninguém é santo e nenhum momento é eterno

Torre foi, torre será
Morreu, morre e sempre morrerá
Você é isca, meu caro! Inválido até o final
Você é usado, maltratado. Você é o azar!

E da mais bela peça, uma rainha lhe tomo
Com sua formosura e sua impecável vivência
É uma pena que você não poder ser ela
Pois ninguém é perfeito para ter sua essência

E se você for o rei, se considere infeliz
Porque você é poderoso, porém, desarticulado
E aqueles do seu lado morrerão por você
Até que você seja capturado...

A vida é como um jogo de xadrez
Jogado por Deus e pelo Satanás
Eles se importam com algumas peças
Mas deixam as outras para trás
quinta-feira, 10 de setembro de 2015 0 apreciadores

MORTO

Saindo do hospital, os dois homens viram o sofrido rapaz, estirado sobre o chão, perto da fila.
-O que aconteceu com ele?
-Não sei, acho que está morto.
-Parece que a fila não andou rápido o suficiente. Pobre homem...
-Mas por que todo mundo está ignorando ele? Ninguém vai ajudá-lo?
-Podemos chamar alguém para tirar o corpo dele daí.
-Acho que se ninguém tirou é porque é contagioso.
-Será que passa pela pele?
-Sei lá. É melhor a gente fingir que não viu.
Do outro lado da sala, duas mulheres comentavam sobre o mesmo rapaz, atirado sobre o chão, com os olhos fechados e com a boca aberta.
-Aqueles dois viram o moço no chão.
-Por que não ajudaram ele?
-Acho que eles trabalham aqui...
-Será que o rapaz não pode ser tirado dali?
-Ao que parece sim. As pessoas estão contornando a filha, olha só!
-Eita, Maria. É mesmo.
-A gente até que podia ajudar...
-Acho melhor não. Se ninguém ajudou agora, tem caroço nesse angu!
-Vixi... As pessoas estão olhando para a gente. Esse povo sabe que a gente está comentando sobre o rapaz.
-Vamos fingir que ninguém viu nada e vamos embora.
-Não, espera. Opa, ali. Pronto. Doutor, espere!
A moça chamou o Dr.Ricardo. Por que ninguém estava ajudando aquele pobre rapaz? Por que ninguém o tirava dali? Afinal, hospital não é lugar de defunto. Ah, mas calma aí, meu senhorio! Com meus botões, eu nunca pensaria nisso! O rapaz não estava morto não. Ele estava mesmo é dormindo. Pegou no sono na fila do SUS.
sábado, 5 de setembro de 2015 0 apreciadores

VIDRO

Vidro, caco, cai, caco
Estremece as sombras e o chão
Se deita no sangue, nos pisos
E pisando se suja a mão

Quebra, destrói, racha
Parta e reparta
Mesmo que te faça ignorante
Cata e recata

Mas pode sangrar
Nem mesmo eu ligo
Porque caco é a resposta
O vidro é meu único amigo
sexta-feira, 28 de agosto de 2015 0 apreciadores

ÔNIBUS

Segunda-feira. Calor. Muito. Calor. Trabalho. Ônibus. Fila. Dinheiro. Cobrador. Passar. Quase. Lotado. Banco. Vazio. Sentar. Calor. Cheiro. Gasolina. Enjoo. Lado. Mulher. Bebês. Gêmeos. Cheiro. Leite. Mais. Enjoo. Outro. Lado. Homem. Velho. Voz. Rouca. Conversa. Esposa. Falecida.

Depressão. Banco. Frente. Gorda. Mórbida. Tosse. Agoniante. Ocupar. Dois. Bancos. Catraca. Idosa. Devagar. Vestido. Florido. Cabelo. Florido. Rosto. Diabo. Andar. Devagar. Andar. Devagar. Pedir. Lugar. Levantar. Dar. Lugar. Olhar. Velha. Sentada. Eu. Levantado. Velha. Agradecer. Perceber.

Satisfação. Voz. Ela. Sarcasmo. Muito. Calor. Muito. Trabalho. Cansaço. Bebês. Gêmeos. Cheiro. Leite. Enjoo. Ônibus. Andar. Passar. Ponto. Ponto. Ponto. Ninguém. Nada. Descer. Ponto. Ninguém. Ponto. Ninguém. Ponto. Calor. Ponto. Leite. Ponto. Tosse. Ponto. Idoso. Ponto. Idosa. Ponto. Enjoo. Ponto. Ninguém. Ponto. Enjoo. Ponto. Ninguém. Frear. Parar. Motor. Barulho. Parar.

Definitivamente. Ouvir. Murmúrios. Pessoas. Descer. Ponto. Todos. Esperar. Ônibus. Calor. Muito. Atraso. Raiva. Pressa. Ônibus. Último. Entrar. Fila. Catraca. Dinheiro. Passar. Ônibus. Andar. Cair. Deslocar. Perna. Sentar. Lado. Leite. Enjoo. Lado. Velho. Levantado. Braços. Levantados. Cheiro. 

Horrível. Enjoo. Ânsia. Ansiedade. Vômito. Chão. Cheiro. Leite. Axila. Vômito. Ponto. Prévio. 
Andar. Casa. Perna. Deslocada. Andar. Calor. Andar. Calor. Muito. Andar. Calor. Muito. Mesmo. Enjoo. Mais. Enjoo. Cheiro. Esgoto. Vômito. Cheiro. Vômito. Andar. Casa. Chaves. Esquecimento. 

Telefone. Ligar. Esposa. Falta. Crédito. Chamada. Cobrar. Resposta. Nenhuma. Esperar. Noite. Perna. Deslocamento. Frio. Fome. Fedor. Sede. Esposa. Explicação. Reclamação. Dor. Cabeça. Enjoo. Banheiro. Banho. Frio. Rápido. Médico. Atestado. Dias. Voltar. Trabalho. Problema.

Segunda-feira. Ônibus. Deslocamento. De novo.
quarta-feira, 26 de agosto de 2015 0 apreciadores

VIVA INTENSAMENTE

Viva insanamente!
Viva indecifrável!
Viva confidente!
Viva inabalável!

Severos dias que me perseguem
E perseguem até o meus pensamentos
Me ternam pela normalidade
Me ternam pelos incontentamentos

E correm atrás de mim
Com água na boca e garfo afiado
Prontos para comer minha genialidade
Fruta de um fruto desvairado

E sim! Fruto, fruta
Furto e furta, faz me assim
Seja nada, seja Deus,
Somente eu mando em mim

Viva, desgraçado!
Viva, infeliz!
Bata forte, coração!
Bata fora da matriz!
sábado, 22 de agosto de 2015 0 apreciadores

NADA

Existia os ninguéns. E existia um nada. E lá do nada vinham os ninguéns sem propósito e sem rosto. Não viam nada porque nada existia. Não viam a si mesmos porque ninguém não era nada. E mesmo assim todos olhavam para ninguém. E ninguém olhava para nada.
Branco afrente, branco afora. Já passava da hora do tempo mudar. E sem nada, sem tempo. Sem tempo, sem nada. Mudava o tom mas ninguém percebia. Porque sem nada, sem gente, sem olho e sem nada... Nada existe, nada vê, nada vive, nada nada.
Andavam todos em círculos, mas não andavam em nada. Porque ninguém existia para andar em volta de círculo nenhum. Mas ninguém ligava para isso porque o nada não acontecia. E ninguém via que algo estava errado porque o errado não existia.
E o algo não se via porque não tinha olho para ver. Porque sem olho, sem gente, sem gente, sem nada. Sem nada, mesmo o tudo que existiria se ninguém fosse algo, se torna a mais impressionante coisa que já existiu, mesmo nunca tendo existido.
E nada acontecia, porque o que acontecia não era nada.
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TERNO TERNO

Estava muito tarde. A lua pairava sobre o desmerecido vácuo do céu. E naquele apartamento apertado se encontrava ele. Sempre a se esconder de seu dono. Esperava ele dormir para que pudesse enfim por um fim no seu desespero.
E ternamente terminava de fingir. Seus quase-não-pés tocavam o quase-não-chão que quase não se notava. E aquele quase-não-monstro desgraçado que se encontrava na cama não se lembrava de que seres não-humanos também têm de tomar banho.
Terna vida de se viver, aquela. Trabalhava das 6:00 às 8:00, junto com o seu chefe sujo. Sujo de pele e sujo de alma. Problemático que só, trocava tanto suas míseras moedas que os seus pelos já se cansavam daquelas mangas suadas.
Mas entre tantas míseras maldições, trancavam suas tradições em caixinhas não-tão-visíveis. E enquanto roíam suas unhas não-tão-existentes se esqueciam de que o subordinado era quem realmente fugia das banalidades simplistas. Ele era terno.

Não digo que tinha ternura no sangue.
Digo que o terno terno era só um terno.
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LUZES

Luzes escandescentes
Piscam e escurecem
Ternam em minha mente
Vagam, desmerecem

Mas a flauta sobe um tom
E o clima se despedaça
Se forma um outro som

Os gênios se escondem
Atrás de suas vontades
Com os óculos nos bolsos
Perde o cálculo, a validade

Tantos dias se passam
E o tempo corre mais que eu
Tantos anos morrem
E ninguém entendeu...
Ainda

Mistérios inimigináveis
Nas mais profundas mentes
Se protegem com o temor

Vergando e verdigo
Solstícios de amor
Intercalam a dor
E o sabor proibido

E as máquinas se quebram
Entre suas ruflas e seus quebradiços
Se tornam puro desmembramento
Todos os dias do solstício

E as luzes voltam...
 
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